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O amor é

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mário Jorge Lima é autor de algumas das mais profundas letras de música que conheço. Me contou que há algum tempo sua filha encomendou uma música para o seu casamento. Ela vive nos EUA, está longe dele há muitos anos. Ele me disse que achou que teria muita dificuldade, porque falar de amor não é fácil, embora pagodeiros e sertanejos pareçam desmentir. Não desmentem o fato, pela simples razão de que eles não falam de amor. Falam de um genérico da mais alta das virtudes, muita vez confundido com um embate de hormônios.

Mário Jorge conta que orou, respirou fundo e, duma sentada, deu à luz esta obra prima. Não se engane: o tema dela é, de fato, amor. Amor que merece ser cantado, ainda.

O QUE É O AMOR ?

Letra: Mário Jorge Lima
Música: Lineu Soares

I

Já muita coisa tem sido escrita, pensada e dita sobre o Amor,
Muitos poemas, muitas histórias, filmes e dramas, muitas canções,
Em nome dele o mal e o bem já mediram forças, se debateram,
E ele, com freqüência, foi confundido com a loucura e as paixões.
É um sentimento de muitas formas, é o dom completo e mais profundo,
Junta as pessoas, produz amigos, está disponível para quem quiser,
Mantém os lares, forma famílias, transmite a vida e move o mundo,
E num momento mágico e belo une um homem a uma mulher.

Coro

Amar o outro e ser feliz é bem mais que música ao luar,
É mais que olhares, mais que euforia, é mais que impulso ou emoção,
É mais que festa ou mesmo um romance, mais que um ao outro se entregar,
É ter consciência, cumplicidade, é a mais pura e firme determinação.
E para quem tem o entendimento das coisas sublimes, espirituais,
E crê que o Amor teve a sua origem bem mais acima, além do céu,
Eu conto agora um grande mistério: o Amor é mais, é uma pessoa,
O Amor tem nome, Ele está vivo, o Amor é Cristo, o Amor é Deus.

II

A nossa vida segue caminhos nem sempre lógicos, ou planejados,
Causamos dores, nos afastamos do equilíbrio e da coisa certa,
Erramos muito, somos humanos, somos teimosos, atrapalhados,
Na vida a dois há que saber disso, ser tolerantes, e estar alertas.
Mas, é nessas horas de imensa crise que o Amor se mostra de forma intensa,
E a vocês, que amo, eu peço agora, guardem bem fundo no coração:
Quando o Amor resiste, quando ele espera, quando suporta, e, como Deus, esquece,
Tem um outro alcance, possui outros nomes, é chamado Graça, chama-se Perdão.

Marco Aurélio Brasil Lima

Vinde às Águas

Leia

1 “Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; e vocês que não possuem dinheiro algum, venham, comprem e comam! Venham, comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo.
2 Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará com a mais fina refeição.
3 Dêem-me ouvidos e venham a mim; ouçam-me, para que sua alma viva. Farei uma aliança eterna com vocês, minha fidelidade prometida a Davi.
4 Vejam, eu o fiz uma testemunha aos povos, um líder e governante dos povos.
5 Com certeza você convocará nações que você não conhece, e nações que não o conhecem se apressarão até você, por causa do Senhor, o seu Deus, o Santo de Israel, pois ele lhe concedeu esplendor.”
6 Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo; clamem por ele enquanto está perto.
7 Que o ímpio abandone o seu caminho, e o homem mau, os seus pensamentos. Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu perdão.
8 “Pois os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos”, declara o Senhor.
9 “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos.
10 Assim como a chuva e a neve descem dos céus e não voltam para eles sem regarem a terra e fazerem-na brotar e florescer, para ela produzir semente para o semeador e pão para o que come,
11 assim também ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei.
12 Vocês sairão em júbilo e serão conduzidos em paz; os montes e colinas irromperão em canto diante de vocês, e todas as árvores do campo baterão palmas.
13 No lugar do espinheiro crescerá o pinheiro, e em vez de roseiras bravas crescerá a murta. Isso resultará em renome para o Senhor, para sinal eterno, que não será destruído.”

A belíssima canção “Vinde às Águas“, composta por Daniel Salles, foi inspirada no texto de Isaías 55 (acima, na Nova Versão Internacional). Além de ter uma maravilhosa melodia, a letra da música também nos faz pensar, assim como o texto no qual foi inspirada, no quanto Deus é tão maior que o ser humano e no quanto nós precisamos buscá-Lo para saciar nossas reais necessidades.

Jesus disse à mulher samaritana, junto ao poço de Jacó: “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” (João 4:14). Quando nos aproximamos dessa Fonte, nossa vida é preenchida verdadeiramente do que nos falta.

Pense um pouco no texto e reveja com que frequência você tem busca a Fonte, ou se você não está buscando fontes erradas.

Buscai ao Senhor, enquanto se pode achar, invocai o Seu nome, enquanto perto Ele está.

Assista à grande interpretação do próprio compositor, Daniel Salles, com Ronaldo Fagundes, Daniel Cruz, Cleverson Pedro e Kiko Nascimento:

E você pode até tocar em sua Igreja (clique para baixar a partitura).

Abraço a todos!

Leandro de Araújo Lima

Humildade e Confiança em Deus

Semana passada, em nosso estudo semanal da Igreja Adventista, a Lição da Escola Sabatina, pudemos nos aprofundar um pouco mais na história do profeta Isaías.

Algo que me chamou a atenção em sua história, e que a lição enfatizou, foi como ele aceitou o chamado de Deus para o ministério. Isaías atendeu prontamente a voz de Deus, dizendo “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isa. 6:8). Mas o profeta não falou isso porque confiava em si mesmo. Na verdade, ele sabia bem o quanto era pecador e imperfeito, e o quanto estava no meio de pessoas imperfeitas (leia o cap. 6 de Isaías, para saber mais). Sabia que não seria através de suas próprias forças que faria o trabalho que Deus estava lhe dando, mas que era através do poder divino que teria a capacidade necessária.

Muitas vezes, quando vamos fazer um trabalho para Deus (e a música é um deles), caímos em tentação achando que podemos fazer o serviço por nosso próprio esforço. Ensaiamos, nos preparamos, a até oramos! Mas se não confiarmos verdadeiramente em Deus de todo o coração iremos estar fazendo o trabalho em vão. Precisamos ter em mente sempre que Deus é quem capacita, e que “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Isa. 64:6)

Tenhamos em mente o que diz a música “Enquanto eu viver”, do grupo Nova Voz:

“Tú És o Salvador
Teu sempre é o louvor
Meus lábios cantarão
Em Teu louvor, Salvador
As vitórias que eu alcançar aqui
Vão me lembrar Quem Tú És
Pois vitórias sem Ti não existirão
És um Deus que jamais perderá”

Nova Voz - Enquanto eu viver (clique para ouvir)

Leandro de Araújo Lima

Você é livre?

Há algum tempo o cantor Leonardo Gonçalves lançou seu segundo CD solo. Para todos que gostaram do primeiro, a espera foi bem longa, mas ao ouvi-lo e ao ler seu encarte entendi porque: esse CD foi bastante planejado, pensado nos mínimos detalhes, especialmente na mensagem que ele pretendia transmitir. O resultado foi um trabalho de primeira linha e de conteúdo substancioso.


Mas isto não é uma resenha; estou anos-luz distante de poder ser crítico musical. Menciono o tal CD porque me chamou a atenção aparecer como tema central de duas de suas músicas, e como tema incidental em outra, a liberdade em Cristo. Por que tanta ênfase num mesmo assunto? Bem, mas é um ótimo assunto pra se enfatizar!


“Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como havendo de ser julgados pela lei da liberdade”, orienta Tiago (2:12). Jesus andou na mesma linha dizendo que “se… o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Só que a maior parte das pessoas que eu conheço que abandona a fé e a congregação da igreja afirma, por atos ou palavras, que está justamente em busca de liberdade. Quer determinar seus próprios caminhos, escolher livremente o que fazer com seu corpo, seu tempo, seus recursos. Não é um paradoxo? Afinal de contas, mergulhar de cabeça em Cristo e aceitar de bom grado - com entusiasmo até - participar de Sua igreja liberta as pessoas? Mas como, se a maioria esmagadora das igrejas impõe um estilo de vida rígido e se arroga o direito de julgar quem dele discorda (ao passo que a minoria que não faz isso descamba, no mais das vezes, para uma atmosfera permissiva que dá a impressão de que a fé e o evangelho são coisas baratas)? Como se, fazendo isso, eu estou fatalmente deixando de fazer coisas que eu fazia livremente?


Uma das frases do Leonardo Gonçalves ajuda a desatar esse nó. Ele canta: “sempre estive preso ao meu prazer e minha dor/mas eu hoje tenho liberdade no Senhor…”. Viver para servir a seu próprio prazer e para evitar sua própria dor é uma falsa liberdade, por “n” razões. Que nosso coração e nossos sentidos são péssimos aios, fazendo com que o prazer de agora redunde em dor e sofrimento prolongado no amanhã é uma delas. Que fomos feitos à imagem e semelhança de um Deus que vive para servir, e, portanto, que o egoísmo é negar nosso propósito e nossa natureza originais é outra razão.


Reconhecer-se pequeno e submeter-se ao grande que nos ama é, sim, experimentar liberdade, liberdade que Jesus chama de “verdadeira” – indicando assim que há uma falsa liberdade. Fazê-lo é sentir-se livre de si mesmo, apto a resistir aos prazeres que – esses sim! – viciam e aprisionam e a suportar a dor que antecede a felicidade plena.


Essa liberdade não é fácil de entender, especialmente em nosso século. Gostei de ver o artista dedicar-se ao tema, denotando assim haver atingido um grau de certa maturidade espiritual. A mesma que lhe desejo, porque sentir o vento dessa liberdade no rosto é uma experiência indescritível.

Marco Aurélio Brasil Lima

Inauguração do nosso blog!

É com muita satisfação que damos início às atividades do nosso blog da Música. Nosso objetivo é passar a mensagem de Cristo através de textos envolvendo música. Seja pela análise teológica de uma letra, seja pela divulgação de trabalhos musicais, também testemunhos envolvendo a música e outros assuntos variados (com o passar do tempo, com certeza mais idéias vão surgir).

Notem que o primeiro post já foi publicado há alguns dias, mas estávamos arrumando alguns detalhes para disponibilizar o blog.

Como sempre: sintam-se à vontade! Comentem! Divulguem!

Leandro Lima

Arrependimento

Alguma coisa me incomodava na primeira faixa do último CD do Robson Fonseca. A música, de autoria do próprio, tinha no coro a seguinte frase: “Meu prazer está em ver meu povo se arrepender”. Só depois de algum tempo matutando na razão desse meu incômodo foi que descobri que o problema não estava com a música. Estava comigo.

Arrependimento está no centro da pregação dos discípulos de Jesus em Atos (2:38, 8:22 e 17:30) e na pregação de João Batista (Mateus 3:2). Pedro reforça a ênfase em II Pedro 3:9 e o tema é repetido algumas vezes no Apocalipse (2:5, 21; 3:19). Em todos esses textos e outros tantos, arrependimento é posicionado como uma condição sine qua non para a salvação. Logo, é óbvio que um Deus explodindo de amor e profundamente interessado na salvação dos homens tenha prazer em vê-los arrependerem-se.

O problema estava, pois, comigo, porque me deixei influenciar pela retórica subliminar da cultura de nosso tempo, que odeia o arrependimento. Arrependimento é uma daquelas coisas que foram proscritas do meio secular porque está atrelada a um sentimento de culpa que teria sido inoculado artificialmente no inconsciente coletivo pela religião. O único arrependimento que é enaltecido pela nossa cultura é uma espécie negativa de arrependimento, o arrependimento daquilo que se deixou de fazer, o arrependimento por não se haver “vivido”.

A Bíblia não enfatiza, sublinha, negrita e coloca setas em neon piscante sobre um assunto à toa. Mas o que é arrependimento? Ele não pode ser a lamentação pela conseqüência ruim de um ato que eu vou ter que sofrer, não se trata de um sentimento assim egoísta. O genuíno arrependimento é uma profunda tristeza por haver ferido alguém que lhe ama. Nunca esqueci o dia em que minha mãe ia saindo de casa e me pediu um beijo de tchau. Ela estava longe, eu fiquei com preguiça e ela foi embora sem meu beijo. Vi a tristeza no seu olhar ao se virar e então saí correndo e afundei meu rosto no travesseiro chorando feito louco. Com seis anos de idade fui apresentado ao arrependimento.

O arrependimento genuíno é quando você percebe que seus atos, frutos da distância que tem mantido de Deus, Lhe causam dor, afundam um pouco mais aqueles cravos em Suas mãos, desferem algumas chibatadas mais em Suas costas. Porque você feriu alguém que o ama mais que tudo. E esse sentimento é imprescindível. A boa notícia é que ele é sobrenatural, você não o produz sozinho e, por isso mesmo, é um presente de Deus (Atos 5:31). Basta pedir pra ter.

Marco Aurélio Brasil Lima